abril 02, 2026

"Tá, ok."

 Não faz muito tempo que eu me aborrecia quando alguém fazia algo que por várias vezes eu já tinha falado que não gostava. Mudanças de planos avisados na última hora quando eu sabia que a decisão tinha dias já, falta de consideração, falsidade... eu mostrava, demonstrava que não gostava, que ficava realmente triste, e nada adiantava. 

Recebia, quando muito, indiferença ou deboche. Ou os dois.

Agora chega, decidi não me aborrecer mais que o mínimo que eu não controlo. Vi que não valia mais a pena. Apenas deixo para lá e me afasto. Fico mais quieto, não puxo mais assunto não reclamo mais - e eu avisei que o problema era não reclamar. E logo vai ser um afastamento físico.

Haviam duas coisas que, confesso: vergonhosamente, me prendiam numa situação desconfortável. Uma situação terminou e a outra já foi avisado que vai terminar em breve. Saiu um peso. O bom é que aquela coisa de eu estar parado enquanto outros se afastavam achando que iria atrás, bom, agora eu vou me afastar torcendo para que não venham até mim.

O que antes era reclamação, era demonstração de irritação, hoje não é nada. A resposta padrão vai ser "tá, ok" e só isso. Se vão perceber o que mudou a tempo de reverter, não é meu problema. Quando perceberem, não estarei mais ali.

março 28, 2026

Eu tento, vocês não deixam.

Eu tento, eu juro que tento. Eu fico na minha, eu não coloco mais o que eu penso em debates eu falo apenas onde quem quer saber venha, eu não levo nada até os outros, o outros que vem até aqui. Só que nesses "outros", vem quem não gosta do que eu falo, ok, ninguém é obrigado a estar certo o tempo todo, só que esses não se contentam só em não gostar, querem me impedir de falar. Isso é inadmissível.

Essa gente afundada no efeito Dunning-Kruger que acha que sua bolha é a maioria da população e, o pior, que a opinião da maioria define o que é a realidade. Opiniões diferentes são ignorância ou ofensa, o que não entendem não se interessam em aprender. O que sabem ou melhor, o que mandam eles pensarem está bom. Até seu vocabulário reduzido, com frases vazias e conceitos vagos repetidos exaustivamente como se isso fosse fazer sentido por insistência. É tristemente exasperador.
(Sim, eu sei que eles podem me enxergar exatamente assim, isso uma vantagem sobre eles.)

Mas eu sou legal, não trato mal, não me afasto, apenas ignoro. Ignoro quando falam do reality show da Vênus Platinada, da séries sobre presidiários que querem "humanizar" parricidas, que falam mal de um político específico enquanto defendem outro e todo o mecanismo estatal. Eu apenas ignoro e procuro não julgar, mas falho miseravelmente nisso.

Mas eles não são legais. Eles vem sem serem chamados cheio de lugares comuns, clichês, slogans e nada novo, nada útil, nada que conteste com base em fatos o que eu falei. É um tempo sobrando que essa gente tem que eu não consigo entender. Alguns assuntos, partidos, políticos ou até o próprio Estado é sagrado. Pessoas que abriram mão de sua individualidade, de suas opiniões, de suas impressões, de sua própria história para seguir cegamente um coletivismo castrador. Essa gente, eu tento, mas não consigo respeitar intelectualmente.

Eu tento, até porque eu sei que eu tenho pouco conhecimento e duvido da minha inteligência para colocá-los em ordem, mas eles não deixam. Eu tento não olhar de cima para baixo, mas a cada dia parece que eu estou mais acima e isso me incomoda. Temo que nunca mais terei uma conversa adulta na vida.

dezembro 17, 2025

Merecedores.

 Não é raro eu querer fazer um agrado, uma surpresa simbólica que eu ache que vai alegar uma pessoa por uns momentos. Ás vezes só a materialização de uma lembrança boa, um presente barato um chocolate, que seja.

Faço isso com algum conhecido meu pelo menos uma vez na vida e minha recompensa é ver um sorriso e saber que haverá um sorriso sempre que olharem aquele agrado.

Por outro lado eu fico desanimado toda vez que eu faço isso e é tratado com desdém, como se o objeto fosse mais importante que o fato de ter um objeto ali, único. Nessas horas eu percebo que nem todo mundo entende gesto de carinho como eu entendo e tenho que me policiar para não fazer mais, não para quem não saber apreciar.

novembro 03, 2025

"Disciplina é Liberdade".

Durante os últimos, não sei, talvez anos, eu prometi para mim mesmo que que quando acontecesse um evento eu passaria a cuidar de mim mesmo, pois só então eu teria tempo para isso.

Pois bem, o correu o tal evento e nos primeiros dias não fiz nada porque ainda estava acostumando com a nova realidade, algo que não está sendo fácil e eu nem sei quando esse processo vai acabar. Mas o mundo sempre segue adiante e nós temos que seguir juntos.

Agora estou me obrigando a fazer o que prometi, mudar os hábitos para algo que vai parar de me atrapalhar e/ou me ajudar a ter uma qualidade de vida melhor. É complicado e tem que ser aos poucos para ser gradual, ainda caio em tentações de hábitos antigos, há muito arraigados e que me trazem uma recompensa hedonista. Mas a cada dia, a cada decisão consciente de abandonar esses hábitos e fazer algo melhor, ser melhor, me traz uma felicidade não passageira.

Mas meu objetivo é chegar o mais próximo possível do 80/20, hoje mal consigo chegar a 50/50. Mas eu estou cansado de ser engando por falsas promessas que faço em silêncio e em segredo para mim mesmo.

agosto 20, 2025

Ser certo está errado.

 Tem vez, e isso está cada vez mais frequente, que simplesmente não compensa fazer o que é o certo. Dá menos trabalho, menos aborrecimento, você não sente... como vou dizer, você não se sente punido por fazer o que é certo, o que espera que se faça.

Hoje tudo tem um coitadismo envolvido.
"Ah, eu não sabia"
"Ah, eu não prestei atenção"
"Ah, eu sou um idiota que vou chorar se me responsabilizarem pelos meus erros"
Erros, ainda que não intencionais, ainda são e serão sempre erros. Agora parece que os erros geram recompensas, enquanto os acertos são punidos e quem acerta é forçado a relevar e ter que dar mais uma chance, não merecida, a quem faz as besteiras.

Isso não está certo e está nos levando para um lugar pior. Não sei quando a situação passou de qualquer limite razoável, não sei quantas pessoas notam isso que eu falei acima em dessas, quantas estão dispostas a levantar e manter uma posição dizendo "o certo é o certo". Não dá para fazer isso sozinho enquanto gente que até (diz que) tem o mesmo ponto de vista começa com o "mas, veja bem, dá para fazer algo para amenizar".

É uma guerra inglória, cansativa, desmotivadora. Tem hora que eu queria apenas ignorar meu senso de certo/errado e tapar meus olhos e ouvidos e, principalmente, minha boca e fazer por menos.


Isso seria melhor do que como eu estou me sentindo agora.




março 13, 2025

O fundo, interrogação.

Esses dias fiquei impressionado comigo mesmo, o que é bem raro. Fiquei impressionado em como eu simplesmente desisti, de como eu quero que o mundo acabe desde de que eu possa ser deixado em paz.

Apenas, literalmente, deixei um problema bem grave sumir, se esconder e talvez ir embora, não sei, pode ser que volte, pode ser que não tenha ido, e simplesmente deitei para descansar.

Penso nisso desde então. Eu não era assim, não era para ser assim. Apenas pulo de problema em problema, resolvendo os poucos que me sobram, minimizando os que posso ou simplesmente esperando o Titanic afundar com preguiça de esticar a mão e pegar uma boia salva-vidas.

Hoje a mesma coisa, joguei a sujeira pra baixo do tapete e esperei que ninguém visse, ou que se vissem, limpassem sem falar comigo. São as únicas coisas que posso fazer.

fevereiro 22, 2025

A Espera

 A pior parte é a espera. Eu sei o que vai acontecer, eu sei que não posso evitar o que vai acontecer. Eu já não sei se eu não quero que aconteça.

Apenas deixo as coisa desenrolarem e olho com melancolia o quanto vai ser desperdiçado por ego e indiferença. É agora é o meu ego e logo será minha indiferença que tornará inevitável. 

Uma pena.

Em breve tudo se tornará lembranças e logo passará ao esquecimento. 

A vantagem em ter percebido o que está em curso é poder estar preparado, ter um plano B, ou C, ou N... engatilhado para qualquer contingência. 

Sei que me culparão por isso, principalmente por já estar em um caminho alternativo. Mas eu acredito mais no meus olhos que nos meus ouvidos e eu sei que antes de desistir eu cheguei ao meu limite. 

janeiro 30, 2025

Vida pela metade.

Eu não queria, achei que fosse a última vez, mas acho que vou ser obrigado a passar por aqui mais uma vez, pelo menos. Essa vez não está valendo, não por inteiro, não por completo.

Eu tenho uma vida pela metade, nunca todas as peças estão lá ao mesmo tempo. Se tenho um lugar para ir, não tem companhia, se não precisa de companhia, não tenho tempo. Se tenho uma companhia que em teoria deveria ser fixa, ela nunca está lá. Se sobra tempo, falta o que fazer. Se tem mais de uma coisa para fazer, é no mesmo horário.

Sempre tem algo faltando, sempre tem alguém faltando, sempre estou pensando que a outra escolha teria sido melhor. Sempre tem um espaço a ser preenchido.

Até ser sozinho eu não consigo, porque sempre tem alguém precisando que eu esteja lá. Acho que até no final, de algum modo, vai faltar algum detalhe que me impeça de ir totalmente.

janeiro 02, 2025

Acabou.

Não comemoro datas especiais. Nenhuma. Não vejo nada diferente no dia do meu aniversário, Natal, Ano Novo, dia comemorativo da minha profissão... pelo menos é feriado. Ponto pra ele.

Todas as datas é sempre a mesma coisa para mim, não gosto de ser parabenizado, presentear ou ser presenteado. A maioria faço mais por um hábito arraigado de convivência social que por qualquer significado, mas não ligo se não recebo os presentes que dou, mas sempre me sinto em dívida quando não retribuo, principalmente se não sei como poderia retribuir.

Mas esse Reveilon de 2025 foi diferente. Quando deu meia noite e 2024 finalmente virou passado, senti uma sensação de leveza, como se o mundo tivesse saído de cima de mim e o sangue finalmente tivesse voltado a circular que, juro, quase senti uma dormência física. Foi uma alegria que teve que ser contida pois estava em público, mas meu espírito caiu de joelhos e chorou enquanto meu rosto tentava olhar para os fogos, agradecendo a penumbra, e tentando secar as lágrimas no vento.

Não eram lágrimas de tristeza ou alegria, mas de alívio, não era mais 2024.

De longe, foi o ano mais difícil que eu tive. Escolhas erradas, apostas perdidas, aleatoriedades, planos desfeitos, problemas que foram gerados não por mim, mas para mim, desprezo e ser preterido sempre que tiveram oportunidades. Um ano que terminou eu precisando estar onde não quero mais estar, mas preciso quase desesperadamente, me fazendo sentir um dos funcionários mais antigos do mundo, no limite do literal.

Não sei o que vou ter que atravessar esse ano, os espinhos que estão no meu caminho prontos para tirar o resto de sangue da minha pele, mas acho que só o fato de não ser provável que seja igual ao ano que terminou já me dá uma pouca esperança.

Atualização: durou apenas cinco dias.

dezembro 03, 2024

Nada.

Sono, cansaço e dor de cabeça. Acho que as únicas coisas que eu consigo sentir são físicas. Todo o resto sumiu, foi apagada, um pálida memória do que era. As boas e as ruins.

Até tenho me forçado a sentir alguma raiva, alguma indignação, alguma tristeza o mais perto que consigo chegar disso é alguma condescendência e resignação. Vontade de ir mas a curiosidade de ver até onde chegaria ainda está um pouco mais forte. Isso e falta de um lugar para ir depois.

Me impressiona o vazio onde tinha que ter alguma coisa, ter apenas apatia. Chega a ser irônico como eu sempre tentei fazer com que a situação não chegasse nesse ponto e quando chegou estou até (quase) feliz.

O tempo que eu perdi, o estresse que eu criei, tudo o que eu passei e agora... nada. Simplesmente nada. Apatia e alívio.

E nada é o que eu vou fazer... por um tempo. O problema agora é lutar para não me sentir um vendido, vai ser uma sensação estranha.

novembro 16, 2024

Depois não adianta.

Já são nove anos desde o problema que deixou ela reclusa. Desse tempo para cá a única coisa que eu ouço é "preciso ir lá, preciso ver como é que está". Desse tempo pra cá o única coisa que eu vejo é estando na mesma rua não poder tirar cinco minutos para realmente ver como está, para agir de acordo com o que me falam. Antes desses nove anos, muitos anos se passaram sem uma visita, um telefonema, mesmo estando perto.

Esse tipo de descaso realmente não me incomoda, o que me incomoda é a choradeira hipócrita de desculpas esfarrapadas de falta de tempo quando todos sabemos que é falta de interesse, falta de consideração. É a força que eu faço para sorrir não contestando, mas nem fingir que acredito finjo mais.

Depois, quando não for mais possível, não quero que me encham o saco, não quero falsos pedidos de perdão com igualmente falsos arrependimentos. Não me peçam que os desculpem, não foi a mim que prometeram visitar, peçam desculpas a quem vocês diziam que queriam ver.

Quando a mim, me esqueçam.

outubro 19, 2024

Cansado.

Cansado. Apenas cansado, sem forças e sem motivação. 

Nós últimos 18 meses, algumas coisas há mais tempo, tudo vem dando errado. Cada detalhe de cada aspecto da minha vida está dando errado. Isso cansa. 

Cansado de ter que decidir entre pessoas próxima serem idiotas e não perceberem as coisas ou apenas não ligar.

Cansado de estar em lugares onde não quero estar e parece a cada dia mais que não querem que eu esteja.

Cansado de estar em um lugar mas a mente ter que estar sempre em outro.

Cansado de ser deixado de lado, de deslealdades, de ser sempre o preterido.

Casando de fingir que eu não estou cansado.

outubro 02, 2024

Pequenas coisas.

Depois de não sei quantos anos, talvez mais de vinte, não tem um animal dentro dessa casa a noite. Todas as poltronas vazias, a cama desocupada, nenhuma bolinha de pelo deitada no meio do caminho pedindo atenção ou comida.

Nada.

Como uma coisa tão pequena, que muitas vezes se escondiam até do nosso canto olho faz falta. Olho para os lugares que eles costumavam ficar e minha memória sobrepõe a imagem que vejo com a que me acostumei a ver e hoje entendo como era necessário eles estarem ali. Como olhar para o bichinho dormindo, desviar meu caminho para fazer um carinho, às vezes literalmente um, aliviava toda a carga de um dia ruim, de um fase difícil.

Hoje estou no vazio, sem ter para onde olhar, sem ter porque desviar o caminho. Apenas o vazio. A TV não consegue fazer companhia, o mundo lá fora não parece ter atrativos.

Mas é assim que vai ser, melhor acostumar.

setembro 28, 2024

Inútil.

Uma das piores sensações que uma posso pode ter é de inutilidade. É de saber o que precisa ser feito, onde fazer e não poder fazer e/ou não saber fazer. É de ver a situação piorando e não conseguir nem parar esse decaimento ou reverter.

É olhar para trás e ver que as ideias que surgiram já no desespero e foram colocadas em prática com resultados mínimos poderiam ter tido algum efeito se tivesse aparecido um pouco antes. É de me culpar não por omissão, mas por incompetência. 

É um pensamento ou sensação que fica sempre às sombras dos pensamentos, incomodando, alfinetando, lembrando de tudo que não pude fazer.

Normalmente em textos aqui eu gosto de deixar uma conclusão, esse não vai ter, porque essa sensação nunca vai embora, sempre vai ser lembrado. Nos momentos onde menos esperamos, para estragar um momento bom ou piorar um momento ruim.

agosto 19, 2024

Percepções.

 Uma frase perdida na TV ontem: "a melhor maneira de demonstrar afeto é estando presente".

Com poucas coisas concordo mais. Pena que as pessoas ao meu redor não prestem atenção nesses detalhes, mesmo que para agir em desacordo com eles. Apenas ignoram.

Acharia melhor que entendessem e negassem que apenas não percebam as coisas ao redor como são. Se não entende, acho que gostaria que perguntasse.

Loopping.

O pior é o vazio. Sem tristeza, sem ansiedade sem nada. Só tédio, indiferença, um viver automático como um roteiro chato, já sabendo o que vamos fazer e quais vão ser as reações. Apenas sigo.

Dormir, acordar, trabalho. Um o outro jogo, uma ou outra conversa interessante, cada vez mais rara, um afastamento natural e quase irremediável. Melhor. Sem tempo para mim, refazendo coisas que estavam funcionando e sem motivo são estragadas, gente tentando me convencer que a realidade que vivo não é aquela, gente que não vive essa realidade, que quer entender um filme por um frame desfocado.

Isso cansa, cansa o corpo, cansa o espírito, cansa. O tempo passa rápido mas as coisas não mudam, não param, não acabam. Apenas parece que estou parado olhando um time lapse qualquer do mundo.

Amanhã é um dia normal, já sei o que vou fazer, falar, as brincadeiras que direi e já espero as reações. Déjà vu.

A única graça é fazer parecer que é a primeira vez que estou passando por aquilo e, ó, é uma surpresa.