Abril 06, 2012

Militância politicamente correta e eu.

Vivemos um tempo triste, o "eu acho" foi promovido a verdade científica politicamente correta.
Antes eu entrava em qualquer debate para dizer o que pensava, mas sempre sem ofender e nem tentar catequizar ninguém à minha causa ou a conseguir seguidores. Mas vendo o aborrecimento, revolta e ódio que uma opinião discordante gera não faço mais isso.
Fui obrigado a aprender a não entrar mais em discussões com militantes de qualquer causa, não adianta. O nível da argumentação é "porque eu acho que não pode ser assim, não pode ser assim", "se eu não gosto, acho que ninguém poderia gostar". Não dá para argumentar com ninguém com esse pensamento sem se aborrecer. Enquanto queremos apenas mostrar outro ponto de vista, eles querem nos convencer a mudar o mundo do jeito que eles acham certo.
A praga conhecida como Politicamente Correto não aceita opiniões discordantes sem te taxar de conservador (como se o mundo antes fosse pior que o mundo hoje), preconceituoso, adepto do ódio, etc. Agora só leio, ouço, brinco se for o caso e continuo vivendo minha vida pelo que eu acho certo, sem ligar para a militância organizada até que ameacem algum direito meu. Se eles têm o direito de ser assim, agir pelo que acham que é certo, eu tenho o mesmo direito de agir e defender o que eu acho certo.
Viver pelo que eu acho certo sem ligar para o que eles dizem, e somos milhões que fazemos isso, é a maior vingança e os deixam mais desesperados. Ao invés de combatermos e fazer estardalhaço, os deixamos falando para eles mesmo e pregando no deserto.
Isso os deixa loucos.

Janeiro 23, 2012

Surgimento do mp3 e a decadência da música mundial.

É um título polêmico para uma relação polêmica. O mp3, principal formato de música digital surgiu em 1991, mas só se popularizou com o Winamp em 1997. Após isso, com o compartilhamento via P2P, qualquer um com acesso a internet, em qualquer parte do mundo, teve acesso grátis a toda a obra já gravada. Coincidentemente, a década de 90 do século passado (é estranho falar em século passado...) foi a última década relevante musicalmente.
Eu não acredito em coincidências, acreditei menos ainda quando li esse contraponto do Duff McKagan (ex GNR) sobe o SOPA, foi só ligar os pontos.
Voltando um pouco no tempo, até os meados dos anos 90 para se conseguir um álbum novo nós tínhamos que comprá-lo e para compartilhar passávamos para as antigas fitas K7. No caminho oposto, tínhamos que achar alguém que tinha comprado para copiar esse álbum mas, mesmo assim, ele ocupava espaço, fitas embolavam, desgravavam, discos arranhavam. Quando chegou os CD´s e os gravadores de CD em seguida, pouco mudou. Cada CD cabia apenas um álbum. Hoje, um pendrive cabe mais música que meus vinis, K7s e CDs juntos.
Mesmo sendo possível copiar as músicas, era mais complicado, restrito a um grupo de amigos do dono do original e, principalmente, mais lento. Com isso, as vendas de discos não diminuíram tanto, as gravadoras lucravam e com isso moviam toda uma indústria de música. De lojas a estúdios de gravação de demos de bandas iniciantes. Com o lucro garantido pelos artistas mais famosos, as gravadoras arriscavam em artistas novos, os colocando em trilhas de novelas, rádios especializadas no estilo e turnèes conjuntas com artistas que garantiriam o lucro e a exposição. Sempre foi assim na história da música.
Aí surgiu o mp3 e o compartilhamento de arquivos. Pessoas com menos dinheiro pararam de comprar álbuns originais para buscar arquivos com a mesma qualidade de graça na internet. As gravadoras pararam de lucrar, muitas faliram assim como as lojas especializadas em venda de CDs. Quem perdeu com isso foi a música de qualidade, claro, que sempre é sacrificada em função da quantidade, no caso a música da massa que, em lugar nenhum do mundo, é boa.
Entendo eles e fica difícil tirar-lhes a razão. Com as vendas em queda, fica difícil querer apostar em algo que não se sabe se vai ser bem recebido. Isso é comprovado vendo que 90% das bandas mais novas não resistem ao segundo trabalho sem cair no ostracismo enquanto bandas com três, quatro décadas de história tem contratos milionários e "se recusam" a abandonar os palcos, mesmo sem lançarem trabalhos inéditos ou trabalhos com o mesmo nível de vinte anos atrás. Mas seus fãs compram material original, vão aos shows, garantem o retorno.
O que as gravadoras fizeram? Começaram a investir em fórmulas, em pesquisas de mercado. O que temos hoje são artistas pasteurizados, com cada "atitude" ensaiada e a naturalidade de uma flor de plástico.
Trágico.
O que Lady Gaga, Rihanna, Adele, Michel Teló e Kings of Leon tem igual: são crias de laboratório, não têm espontaneidade, não fazem nada diferente do que se espera que eles façam. As novas bandas de rock que surgem não duram, pois não inovam, não podem, apenas tentam sem sucesso copiar o que foi feito na década de 80. Se é para ouvir rock 80, eu ouço as originais, não cópias falsificadas. E as bandas dessa época estão voltando depois de um hiato de 20 anos, voltando e excursionando pelo mundo com shows cheios. Porque têm qualidade que a música hoje se recusa a ter.
Não, eu não tenho má vontade com artistas iniciantes, mas eu quero coisas novas, timbres novos, melodias novas, propostas novas. E boas. O que eu vejo é apenas mais do mesmo, copiando o que ha de melhor e o que há de pior na música, pois eles sabem que é isso que vende. É isso que é procurado no Youtube, é isso que querem ouvir na novela e nos programas de auditório do domingo a tarde.
O mp3 me apresentou a bandas, a estilos musicais que eu jamais chegaria perto de conhecer pela forma antiga, mas ele matou a música espontânea, de composições naturais, com feeling. A sobrevivência da indústria da música se dá apenas pelo que ouvimos hoje: músicas descartáveis e one hit wonders.
Pior para as bandas novas que têm um caminho muito mais difícil que teriam a vinte anos atrás, ou alguém acha que surgirá um novo Blur? Um novo Moby? Um novo Jamiroquai?
Se um dia isso mudar, acredito que demorará muito tempo ainda.

Dezembro 27, 2011

Livros e leituras.

Sou aficionado por leitura. Não por literatura ou estudos, mas apenas pelo simples ato de ler uma história bem escrita. Desde pequeno fui acostumado com HQs (histórias em quadrinho). Pausa para divagar: um dia ainda falarei sobre a importância das HQs na educação e formação das pessoas. Hoje, ainda apreciador de HQs, consumo muito menos e me dedico mais às prosas.
Surpresa nenhuma, alguns diriam, por causa de eu ser professor. O que essas pessoas não sabem é que professores de hoje, infelizmente, já não são aqueles intelectuais de antigamente. A maioria, quando muito, domina a sua própria matéria. Não falo isso indignado ou revoltado, apenas com um desânimo proveniente da observação.
Voltando ao ponto, eu gosto de ler, mas gosto de escolher o que eu leio. Artigos científicos, afinal sou um químico e me interesso, desde sempre, por ciências, eu gosto e até preciso para responder as dúvidas quando misturam aguinhas na Eliana e Cia. Artigos pedagógicos, psicologia barata e auto-ajuda passo longe, prefiro ver filme dublado ou reprise de jogo de segunda divisão.
Vejo muito professor que em momento de folga se dedica a livros voltados para a educação. Só falam sobre trabalho e, quando dizemos que ainda não lemos aquela tese (nas entrelinhas, nunca leremos), nos olham de cima, com reprovação. Bom pra eles.
Eu ainda sou da opinião que uma pessoa se dedica em excesso a um só assunto, seja ele a profissão, namoro, filhos, time de futebol, malhação ou o que seja, demostra que sua vida está incompleta e quer compensar, mas é só uma opinião de quem se dedica a tudo, mas com pesos diferentes.
Eu ainda prefiro escolher o que eu quero ler, de clássicos de Gabriel Garcia Marques, Kafka, Orwell a autores novos, passando por crônicas e HQs. Não tenho um gênero preferido, desde que seja bem escrita e que passe muito mais do que estão nas letras, eu leio.
A consequência disso e que sou considerado chato por muitas pessoas, por sempre saber (às vezes muito mais que a média) da maioria dos assuntos, ter uma opinião e saber defendê-la. Mas que culpa eu tenho, é natural pra mim.
Ninguém e obrigado a gostar de ler, mas que isso indiscutivelmente ajuda na hora de se expressar e de entender o que as outras pessoas querem dizer, é inegável.

Religião: palavras e testemunhos.

Sou de uma família tradicionalmente Evangélica, desde muito cedo fui enfiado dentro da escola Dominical. Não, não escolhi errado as palavras, o termo é esse mesmo. Me o brigavam a ir todo o domingo, com Piquet x Senna na F1 e todos meus colegas indo para a praia.
O que não contavam é que conforme fui crescendo, o que deveria ter virado uma doutrina, um dogma a ser seguido virou questionamento. As palavras simplesmente não batiam com os atos e, para mim, isso era é ainda é inaceitável. O pior, ao meu ver, é que não são atos conscientes que vão de encontro do que se prega, são as palavras repetidas com a convicção de um papagaio que são exatamente o oposto do atos.
Não falo de atos conscientes, de escolhas bem pesadas, como roubar ou não, trair ou não, mentir ou não. Falo daquelas escolhas inconscientes que espelham o caráter da pessoa. Julgamentos preconceituosos, fofocas, egoísmo. Isso não controlamos, apenas demonstramos e algumas outras pessoas começam a perceber. Falam de Livre Arbítrio, mas você só é livre para concordar. Falam de sacrifício e caridade, mas tudo tem que ser feito como e na hora que querem, dane-se a sua vontade, planos e compromissos. Bradam aos quatro ventos "não jugueis para não serdes julgados", mas te condenam se for diferente deles, se pensar diferente deles.
Disso tudo, o que me incomoda de verdade é o egoísmo. Basta você querer fazer outra coisa para se aborrecer. não te perguntam, não te respeitam e ainda acham errado se você demonstra insatisfação com alguma coisa, esquecem que os outros também têm vida, e não é dependente deles. Quando ousamos reclamar se fazem de vítima com argumentos estúpidos que só geram ainda mais raiva.
Fico perguntando se isso é acreditar em algum tipo de Deus, o Deus deles. É se sentir o próprio Deus, né? Todo o universo gira em torno dos respectivos umbigos, nada mais somos que servos autômatos cujo o único objetivo é fazer a vontade desses auto-intitulado deuses. Para eles, ter vontade própria é ofensivo.
Aí vão dizer que eu não posso dizer que todos os crentes são assim, por causa de uns e blá blá blá. Mas não são uns, são TODOS os que eu conheço, e eu quero que me respeitem, então não posso, não quero e não vou ser assim.

Novembro 24, 2011

Não sinto vergonha de ser inteligente.

Triste em viver em um mundo onde demonstrar conhecimento é motivo de vergonha e para ser legal temos que fingir a ignorância do senso comum. Antes de começar a escrever, quero dizer que existem muitos conceitos para inteligência. O que eu mais gosto é aquele que fala que ser inteligente é usar o que se sabe para lidar com situações novas e usar essas situações como aprendizado.
Comecemos, então.
Hoje eu vejo, infelizmente sem maiores surpresas, que o baixo nível ganha cada vez mais força, que, como disse uma amiga, ter um vocabulário um pouco mais que o instrumental e usá-lo é pedantismo. Há um movimento de mediocridade, o abaixo disso, onde demonstrar conhecimento ou simplesmente falar certo, é humilhar os outros.
Não, não é. Dizer que as escolas onde estudou tinha professores incapacitados é desculpa de quem não procurou aprender. Até porque se os professores capacitados exigissem o mínimo que acham necessário essas mesmas pessoas que reclamam dizendo que tiveram professores fracos não teriam capacidade de acompanhar.
Mostrar o mínimo de conhecimento básico (e nem falo específico), aquele que teoricamente aprendemos até a sexta série, é considerado nerdismo. Não, não somos nós que somos nerds porque vimos o Discovery ou o History. É tu que é mané porque suas principais fontes de informação são Domingão do Faustão e Superpop.
Não sou melhor que você porque não rio do Pânico ou do Zorra Total, apenas não acho graça. Você não é pior que eu porque não ri de The Big Bang Theory ou South Park. Apenas não quer entender. Dá muito trabalho né?

Novembro 17, 2011

Lula no SUS

Outubro 19, 2011

Pessoas mudam?

Fico pensando, quando me ponho como exemplo, se as pessoas realmente mudam ou apenas expõem o que realmente são quando têm a oportunidade. Falo isso me analisando porque, afinal, eu sou a única pessoa que eu conheço totalmente. Passado e presente.
(Odeio essas rimas não intencionais.)
Fui criado para ter um rígido senso de moral, e o tenho até hoje. Por mais difícil que seja para acreditarem eu já fui de Igreja e tentava levar a sério o que eu aprendia, tentava demonstrar que eu não era "do mundo" quando eu estava lá. Não deu muito certo. Por fazer coisas que eu considerava errado, por dar mau testemunho em atos eu decidi por sair. Me sentia mal em dizer uma coisa e fazer outra.
Mesmo assim, durante muitos anos tentei seguir todos aqueles dogmas morais que eu aprendi lá, que eu fui adestrado a seguir por uma criação tradicionalíssima. Palavras fortes, mas praticamente me fizeram uma lobotomia quando criança, me fizeram acreditar que ser bonzinho teria recompensas e perdi muito tempo na vida acreditando por isso.
Ainda tenho certos valores, uma moral luminosa e brilhante que eu praticamente ignoro full time. Sei o que é certo e errado e muitas vezes escolho fazer o errado. Sem dor na consciência, sem arrependimentos. Sei que essas atitudes podem ter consequências, se tiver, vou encará-las na boa, fiz por merecer.
O que me intriga é não saber se eu realmente mudei ou se eu sempre fui assim e estava travado por saber que era errado e que pessoas boas não faziam isso. Não acredito que eu tenha mudado tanto assim.

Setembro 09, 2011

Ansiedade

Eu sou ansioso. Não é nada que me descontrole, mas é algo que me incomoda. O estranho é que não sou ansioso com coisas boas, não perco meu sono esperando que algo bom chegue, que um plano se realize. Só sou ansioso, e muito, com coisas ruins.
Não sou pessimista, sou observador e realista. Tenho observado ao longo dessa vida que as coisas nunca funcionam direito comigo, nunca terminam bem. Sei detectar padrões, aprecem para mim como se sinalizados em neon. Enxergando os padrões é fácil prever comportamentos e alertar para evitar que alguma coisa dê muito errado.
Eu prevejo, eu aviso. Nunca me ouvem.
Não tenho como estar em todos os lugares ao mesmo tempo e detesto incomodar as pessoas para que façam algo por/para mim, porém algumas vezes é inevitável. Não funciona. Eu tento detalhar o máximo possível, eu tento explicar como é importante pra mim, eu digo como, onde e quando vai dar errado mas ninguém faz nada que eu peço, mesmo quando é do interesse deles.
É injusto, eu pago pela irresponsabilidade de outros. Muitas vezes eu deixo tudo controlado dentro da capacidade, ou da falta de capacidade, da pessoa responsável, mas basta mudar um detalhe, deixar de fazer algo que eu falei para ferrar com o esquema todo.
Eu queria não ter que pagar, não queria ter que sofrer pelo erro dos outros. É injusto.
Agora só me resta a angústia de sentar e ficar imaginando o pior cenário enquanto as más notícias não se confirmam.
Mais uma vez.

Gostar ou Não Gostar

Não sei como as outras pessoas definem o que é gostar e o que é não gostar, mas tenho quase certeza que se eu perguntar não vai bater com a minha definição de gostar. Muita gente diz que gosta de mim, do jeito delas. Do meu jeito, acho que ninguém nunca gostou de mim e nunca vai gostar.
Não consigo aceitar essa necessidade de sempre que se gosta de outra pessoa, queremos mudar alguma coisa dela para "gostar mais", mudar um defeitinho, transformar alguém em algo perfeito para nós. Para eles.
Na minha definição de gostar, que é simples, ou se gosta ou não se gosta, não há condicionais. Quando gosto de alguma pessoa, de alguma coisa, gosto com todos os seus defeitos e qualidades, pois foi esse equilíbrio que me fez gostar. Quem diz gostar de mim, por outro lado, sempre completa a frase com um "... se você mudasse seu comportamento...", ".... se você fosse diferente nisso...", "... se você fosse mais ou menos aquilo...". Ou seja, não gostam de mim como eu sou, gostariam se eu fosse do jeito que imaginam.
Não estou reclamando, ou frustrado, ou nada disso. Apenas analisando algumas coisas ultimamente percebi que é assim que as coisas são. Não lembro de ninguém que não quisesse em algum momento mudar alguma característica minha, "melhorar" algum detalhe. Para não ser injusto, acho até que que quiseram gostar de mim, eu que não cooperei não mudando o que queriam que eu mudasse.
Mas aí, depois desas mudanças, ainda seria eu?

Setembro 05, 2011

Destino

O destino não é nem nunca foi um amigo. Coincidências, na minha vida, só entre coisas ruins, se tivesse uma palavra que significasse "anti-coincidência" talvez fosse a que eu mais usaria.
Todos temos planos, queremos coisas e até traçamos um caminho até o objetivo. A maioria fica nisso, apenas nos planos. Eu mesmo fui assim por muito tempo, um expectador em minha própria vida, seguindo a maré, sendo guiado pelo vento. É bom, não dá trabalho e ficamos sempre naquela média que não é ruim nem bom.
Algum tempo atrás decidi mudar, decidi seguir os planos que havia traçado - não todos, mas alguns - para ver se dariam certo. E, para minha surpresa, começaram a dar certo. Mas eis que surge ele, o Destino. O malfadado Destino puxando suas cordinhas e nos fazendo de marionetes para o seu bel prazer.
Tem horas que me dá vontade de desistir, de jogar tudo para o alto e não tentar mais nada. Desistir de qualquer coisa nova e deixar as que eu já tenho irem se acabando pouco a pouco. Muitos dias da minha vida passei me perguntando o que eu merecia, se eu merecia ter alguma coisa, porque tudo que eu cuido, mais cedo ou mais tarde, acaba sendo tirado de mim sem que eu tenha a menor chance de evitar.
Cansei de contar o número de dias que eu tenho vontade de deitar e esperar o fim, sem fazer nada. Estou farto de sair e "viver" dias como robô, fazendo as coisas por obrigação no automático, sem prazer ou dor nenhuma. Não aguento mais ir em frente sem nunca olhar para trás como se nunca nada de ruim tivesse acontecido e a vida seguisse seu rumo natural e feliz.
Eu queria apenas parar de lutar - e perder - com o Destino, com as coincidências, com tudo que pode dar errado dando errado apenas na hora em que eu não posso fazer nada. Queria que isso parasse, queria apenas pagar pelo que eu fiz. Não corro ou tenho medo de consequências dos maus atos, só acho ridículo que tudo de ruim que acontece não é, nem de longe, resultado de alguma coisa que eu fiz.
Eu queria apenas ter a chance de me defender.
Eu apenas estou cansado disso tudo.

Julho 24, 2011

O Direito de Dizer Não - Um Desabafo

Tenho dito aqui desde sempre que não sou do tipo atraente, não tenho boa lábia nem carro chamativo, ainda assim tenho tido alguma sorte e vários azares com as mulheres. Com o tempo, tenho conhecido e me relacionado, em diversos níveis, com várias mulheres e deu para conhecer alguma coisa delas. A mais importante é: nenhuma mulher pensa igual. O que uma gosta, o que funciona com uma vai gerar o ódio mortal da outra. Elas sempre são e serão desconhecidas.
Ainda com essa diferença absurda, alguns comportamentos são padrão na maioria das mulheres, o que torna a missão um pouco menos impossível de nos relacionarmos com elas.
Adoro alguns comportamentos, mas geralmente eles vêm com uma contraparte que não os fazem valer a pena. Um dos exemplos é mulher que se diz segura e descolada (sic) quanto à sexo. Só dizem, no final são as mais românticas que existem. Acham que sexo não têm nada demais, mas só se for com aquele príncipe encantado. Prefiro aquelas que não escondem estar em busca de um relacionamento àquelas que usam as pernas como uma armadilha para prender alguém. Mas não é disso que eu quero falar.
Essas mulheres seguras e descoladas (termo ridículo!), via de regra, se acham a última bolacha do pacote quando, na verdade, não são nem o pacote todo de biscoito genérico. Mais bonitas e mais legais que elas existem aos montes, e muitas sem estar em relacionamentos. Humildade zero. Pois bem, mulheres assim normalmente se interessam por um infeliz (chamar a atenção de gente assim acaba com a felicidade) e pronto. Não importa se ele está em um relacionamento, não importa se ele está a fim, não importa mais nada: ele tem que largar tudo e ficar à disposição. Pior, ele tem que mudar seu jeito de ser para ser submisso exatamente como ela quer, fazer o que ela quer e pensar como ela quer. Em suma, dar adeus à vida.
Alguns percebem a armadilha e tentam contornar, já que fugir fica impossível. Na primeira tentativa de fuga começa o cerco. O que era um discreto flerte ganha os jornais, todas as amigas dela sabem que ele é "o prometido", os amigos deles começam a saber para fazer pressão psicológica "vai, pega logo" e, então, o golpe mais baixo: as amigas dele ouvem boatos que tem uma mulher apaixonada por ele e é questão de tempo isso virar namoro. Um boato mentiroso, óbvio, mas claro o suficiente para acabar com as chances de qualquer uma que ele esteja interessado.
O infeliz perdeu.
Então, derrotado, ele vai para o sacrifício: sai com a garota. É o pior que ele pode fazer. Não importa qual motivo que o fez fazer essa besteira: pena, pressão dos amigos, esperança que ela pare de encher o saco, para ela é uma coisa só: ele finalmente caiu de amores pelo seu (des)encanto. Um telefonema, um chopp, um beijo forçado (e mulheres sabem como forçar a barra para que a beijemos) é interpretado como promessa de casamento.
No mundo dela, só no mundo dela.
No mundo real ele acha que está livre, não liga, não manda nem sequer um SMS, trata friamente para mostrar claramente que não está afim. Foi só aquilo e dê-se por satisfeita.
Aí começa a pior parte. Desprezada, mas não surpresa, começa a campanha de difamação dizendo que ele é canalha, que é má companhia e, em alguns casos, até afeminado. Afinal, só um boiola para não cair de amores por tão apaixonada e oferecida beldade. Ela começa a espalhar, puramente por recalque, mentiras sobre o que ela mesmo sente como forma de enganar o sentimento de rejeição que sente. Isso tudo porque no início não aceitou o "não, não quero você" como resposta.
Alguns homens, eu incluso, sabemos que temos o direito de dizer não. A situação descrita acontece várias vezes diante de nossos olhos e a menina, normalmente bonita, acaba gerando um comportamento repulsivo maior que a atração física que ela possa ter. Mulheres têm que aprender que homens podem dizer sim ou não, estar ou não interessado. Entender e aceitar isso como um fato.
Homens não são só atraídos pelo físico na hora de começar um relacionamento sério, para uma única noite, qualquer uma serve, mas para algo mais sério... Por isso que eu vejo várias mulheres assim, lindas e encalhadas.

Julho 21, 2011

Ás Vezes...

Às vezes, penso eu, minha vida seria mais fácil se eu fosse um pouco mais transparente, me expusesse mais ou pelo menos falasse mais do se passa na parte onde poucos têm acesso. Às vezes eu queria que as pessoas olhassem menos para o próprio umbigo e lessem melhor os sinais de quem escolheram para conviver. Já fui transparente, me expunha, não deu certo. Vejo gente indo pelo mesmo caminho e nunca dá certo, mas essas pessoas, tolas, esperançosas ou corajosas, nunca mudam.
E sempre estão sofrendo.
Decidi não sofrer pelos outros. Se tiver que sofrer, seja pelas minhas más escolhas, por falar demais ou de menos. Já acho que me mostro o suficiente para saberem quando e onde eu sou sincero, como penso e o que sinto.
Se hoje ninguém mais presta atenção em um olhar, um gesto, não entende um ato de atenção e carinho eu fico triste. Por elas. Que sempre acham que ninguém as quer, que ninguém se importa quando, na verdade, estão tão concentradas em sua própria solidão que não conseguem ver quem quer ser uma boa companhia, quem quer ficar ao lado, e falam que hoje ninguém se importam com ninguém. É o egoísmo, não "se importar com ninguém" passou a significar "não me paparicar".
Penso em mudar algumas vezes, ser igual a todo mundo, mas lutei muito para ser emocionalmente independente e não vou por todo esse esforço a perder. Sei que não é fácil todo o tempo, mas é muito bom saber que minha felicidade não depende de alguém fazendo todas as minhas vontades.

Junho 19, 2011

Todas as Escolhas são Erradas.

A vida de qualquer um, infelizmente, é feita de caminhos e definidas por escolhas. Muitas das escolhas que temos que fazer são inconscientes, a maioria, obrigatória. Por mais que não queiramos sempre temos que escolher apenas um caminho a seguir em uma gama de possibilidades que jamais se tornarão realidade.
Algumas das escolhas aparecem longe, no horizonte, e se mostram inescapáveis, como o luar em noite de lua cheia. Essas são as piores. Por mais que adiemos, por mais que protelemos chega uma hora que temos que fazer essa escolha e, não importa o quanto tenhamos pesados as possibilidades e as consequências, sempre fazemos a escolha errada.
Toda escolha que fazemos é errada, não importa o quão certa possa parecer. Sempre que escolhemos jogamos fora toda as outras possibilidades, e essas possibilidades nos seguem aonde nos vamos. É angustiante.
Seria muito mais simples se quando escolhêssemos um caminho perdêssemos a capacidade de imaginarmos todas as outras possibilidades, já que a outra alternativa é impossível, que é não fazer escolhas. Nunca.
Mesmo sabendo que fiz a escolha certa uns meses atrás, sabendo que o resultado me deixou feliz e fez feliz outras pessoas, sempre fico pensando na outra possibilidade. Provavelmente a outra escolha me levaria ao mesmo dilema, pensando exatamente no caminho que não segui.

Junho 11, 2011

5 Filmes que Não vi e Não me Fazem Falta.

1. Dirty Dancing - Ritmo quente - 1987 - Emile Ardolino.
2. Ghost - Do outro lado da vida - 1990 - Jerry Zucker.
3. Titanic - - 1997 - James Cameron.
4. Love History - 1970 - Arthur Hiller.
5. Se Eu Fosse Você 1 e 2 - 2008 e 2010 - Daniel Filho.

Junho 04, 2011

Educação no Rio

Hoje teve uma reunião sábado, para toda a rede estadual de ensino, sobre o novo programa de governo, a GIDE - Gestão Integrada da Educação. O objetivo teórico-marketeiro desse programa seria identificar os problemas de uma escola (estrutura, ensino, evasão, problemas sociais dos alunos, etc), mas na realidade é responsabilizar a Escola e os Professores por tudo que os alunos fazem.
Gravidez, inclusive. Como se professores incentivassem alunas a dar, a não se protegerem, etc. Viramos babás de periquitas.
Eu sou PROFESSOR. Educar é responsabilidade da família.
Aluno está sendo tratado como coitado por estudar, como se estivesse fazendo um imenso favor à sociedade apenas por estudar. Não é. A responsabilidade de aprender é do aluno, o professor - usando um clichê deles - é só um orientador, um facilitador. Aprender não é favor para ninguém além dele mesmo.
Esse tratamento de coitado, de não dar responsabilidade aos autores por seus atos vai acabar levando esse país à barbárie.

Maio 16, 2011

Educação: Vista de Dentro.

Todo mundo sabe que a Educação no Brasil está uma porcaria, alunos terminam o ciclo Básico (Ensino Fundamental e Médio) sem saber o mínimo que se esperaria de um aluno depois de quase uma década de escola. A população que só lembra da educação quando o precioso filhinho fica reprovado e a culpa, é claro, é do professor.
Mas existem alguns aspectos que só quem é professor sabe que ocorre e nada é feito para ser mudado, poucos sabem que os resultados mesmos pífios são conseguidos graças aos milagres que o professor tem que fazer em sala de aula.
Um retrato, triste, da Educação e suas causas.
1. Educação de Estatísticas:
O que interessa para o Governo hoje é fazer números para o Brasil não ficar mais feio na fita internacionalmente que já está. Facilitaram tanto a aprovação - automática em alguns casos - para o aluno estar certo na idade/série, não abandonar, não reprovar o aprendizado mesmo foi deixado para escanteio.
2. Ausência de Valores e Família:
Por que um aluno vai estudar quando nosso ex-presidente se orgulha de nunca ter lido um Livro? Que o deputado mais votado quase não é empossado por suspeita de analfabetismo? Como podemos dizer ao aluno que colar é errado quando vemos tantos casos de corrupção sem punição?
3. Falta de reconhecimento profissional:
Professor hoje não é reconhecido como profissional, virou um salvador, um messias, alguém dotado de uma missão. A pior coisa que aconteceu com a profissão de professor foi começarem a chamar-nos e Educadores. Não sou educador, sou Professor. Ensino. Educação é responsabilidade dos pais, não minha enquanto profissional.
Nem vou falar do reconhecimento financeiro, por causa dos baixos salários temos que trabalhar em trocentos colégios, várias horas em sala e fora dela o que não nos deixa tempo para nos dedicar a uma turma ou aluno que precise de mais atenção.
5. O Coitadismo Oficial:
Hoje para tudo tem bolsa. A Esmola Oficial do Governo deixou o povo mal acostumado, agora ninguém quer se esforçar o mínimo para alcançar o objetivo. Acham que porque eles fazem o "supremo sacrifício" de estudar eles merecem pontos à toa, não precisam copiar e acham que o conhecimento vai entrar por osmose naquilo que eles chamam de cérebro.
É esse o retrato da Educação Pública hoje, que teria que preparar o aluno para o mundo real aqui fora.